Janeiro 12, 2026

Consumo de qualidade e turismo familiar garantem o sucesso econômico do Réveillon em Mucuri

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Mesmo sem a tradicional festa pública de virada do ano, o período do Réveillon em Mucuri superou expectativas e trouxe resultados positivos para comerciantes, barraqueiros, ambulantes, hoteleiros, empresários e para a economia local como um todo. A decisão da Prefeitura Municipal de não realizar o evento musical foi estratégica e pautada na necessidade de contenção de gastos e reorganização financeira do município, após um ano de 2025 marcado por quedas de receitas, bloqueios de verbas, saques judiciais decorrentes de dívidas antigas e, ainda, pela previsão do impacto da reforma tributária que começa a vigorar em janeiro de 2026, com o fim do ISS e do ICMS.

Apesar do receio inicial de parte do setor produtivo, o cenário que se desenhou foi outro: a cidade recebeu um fluxo intenso de visitantes, especialmente famílias, que encontraram uma Mucuri preparada, limpa e acolhedora. Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Ilmar Lopes Gonçalves, o “Mazolla”, o resultado surpreendeu positivamente. “O movimento foi acima do esperado. A cidade estava organizada, bem cuidada, limpa o tempo todo. E percebemos que, sem a festa, vieram mais famílias, que são justamente o público que mais consome, que circula pelo comércio e valoriza os serviços locais”, destacou.

No setor hoteleiro, os números confirmam essa percepção. O empresário Paulo André, proprietário da Pousada Costa do Sol, diretor do Departamento de Hotéis e Pousadas da Associação Comercial e Empresarial de Mucuri e presidente do Conselho Municipal de Turismo, afirmou que cerca de 90% do segmento operou com 100% de ocupação durante o Réveillon. Para ele, houve uma mudança clara no perfil do visitante. “Foi um turista que veio buscar paz, tranquilidade e contato com a praia, não apenas grandes shows. Isso fez toda a diferença para a cidade”, avaliou André.

Nos restaurantes, o clima também foi de comemoração. O comerciante Junior Pebas, do tradicional Restaurante Paladar, relatou um movimento intenso, no entanto, mais organizado e tranquilo. “As vendas foram excelentes, sem aquela agitação exagerada. O trabalho foi mais humanizado, com clientes mais tranquilos e educados, e o resultado financeiro foi muito bom”, disse Junior.

A comerciante Arlete da Silva, do conhecido Restaurante da Arlete, na Avenida Petrobrás, reforçou a avaliação positiva. Ela contou que se preparou antecipadamente para o período e foi surpreendida pelos resultados. “A ausência da festa trouxe mais famílias, e isso refletiu diretamente no consumo. Superamos, e muito, as expectativas em relação ao mesmo período do ano passado. Saio desse Réveillon muito satisfeita”, afirmou Arlete.

Na orla norte, Ney Gonçalves Soares, da Barraca Caranguejão, também comemorou. Defensor de um modelo de desenvolvimento baseado em qualidade, ele avaliou que a decisão de não investir recursos públicos em shows foi acertada. “Sempre defendi que o município se estruture e se embeleze para atrair pessoas que tragam retorno de verdade. Não adianta quantidade sem qualidade. Este ano foi isso que aconteceu: vieram turistas em quantidade e com qualidade, vieram famílias. São elas que deixam renda na cidade. Estou muito contente com as divisas que Mucuri obteve e sugiro ao prefeito Robertinho, que é um homem inovador, que repense essas estratégias para fortalecer ainda mais a economia local”, declarou Ney.

Outro exemplo do aquecimento do comércio veio do tradicional “Acarajé da Sol”. Solange Silva da Encarnação, que mantém ponto fixo na Avenida Petrobrás desde o verão de 1995, contou que enfrentou filas desde o dia 30 de dezembro. “Chegou um ponto em que faltou material e precisei me reabastecer, algo que nunca tinha acontecido. Achei que, sem a festa, o movimento seria menor, mas foi o contrário. Vieram milhares de pessoas em famílias, e famílias consomem muito”, relatou a baiana de acarajé.

Quem também teve motivos de sobra para comemorar foi Milton Pereira Caldas, o popular “Milton do Churros”. Segundo ele, as vendas deste Réveillon superaram todos os anos anteriores. “A busca por paz e tranquilidade fez com que as famílias viessem em massa para Mucuri, e isso refletiu diretamente nas vendas. Foi o melhor resultado que já tive neste período”, afirmou Milton.

Família mineira de Teófilo-Otoni.

O balanço geral do período indica que Mucuri vive um novo momento no turismo: menos dependente de grandes eventos e mais focado em organização urbana, acolhimento e atração de um público familiar, que gera emprego, renda e movimenta a economia de forma sustentável. A experiência deste Réveillon sinaliza que, mesmo em tempos de ajuste fiscal, é possível crescer apostando em planejamento, qualidade e visão de futuro.

 

Fonte: GOVERNO MUNICIPAL DE MUCURI

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